262ª edição da Romaria: Devoção a Nossa Senhora da Penha mobiliza fiéis de diversas cidades da Paraíba e até de outros estados
O tema desta edição da Romaria da Penha é ‘Com a Senhora da Penha, somos todos romeiros da esperança e defensores da ecologia’. Conforme a Arquidiocese da Paraíba, todos os anos, a Romaria da Penha tem seu tema inspirado na Campanha da Fraternidade, que foi: “Fraternidade e Ecologia Integral”.
A história do Santuário da Penha, em João Pessoa, data de 1763 a partir da promessa de um navegador português – Silvio Siqueira – que era devoto da Santa. Ele estava à deriva e prometeu que ergueria uma igreja na terra onde atracasse em segurança. Ele sobreviveu, foi a Portugal e voltou ao Brasil com todos os materiais para construção da igreja, incluindo a imagem da santa. O Santuário, que é um importante local de peregrinação religiosa, é composto por uma capela original e uma igreja maior construída para abrigar o crescente número de fiéis.
Conforme o assessor de Comunicação da Arquidiocese da Paraíba, Roberval Borba, a importância de Nossa Senhora da Penha em João Pessoa mudou o nome da praia, que antes era praia do Aratu. A tradição da Romaria da Penha só começou no final do século XIX, a partir do pagamento de uma promessa.
“Conta-se que uma família de João Pessoa tinha uma filha doente e, apesar de os pais terem viajado o Brasil em busca de uma cura, não conseguiram uma solução. Daí, foi feita uma promessa à Santa de caminhar da Paróquia de Nossa Senhora de Lourdes até o Santuário da Penha, se a filha ficasse curada, o que aconteceu. A família fez a primeira procissão com uma imagem da Santa e continuou nos anos seguintes, sendo acompanhada por outros devotos”, explica Roberval Borba.
De acordo com ele, o evento religioso recebe milhares de visitantes de diversas cidades da Paraíba e também de outros estados – como Pernambuco e Rio Grande do Norte – e até de outros países. “Como João Pessoa é uma cidade muito turística, muitos dos visitantes católicos que a cidade recebe nessa época aproveitam para participar da Romaria”, afirmou.
A grande novidade deste ano foi a ‘Romaria dos Romeirinhos’, um evento prévio que aconteceu no último sábado (22) para as crianças, que normalmente não participam da Romaria devido à extensão do percurso e ao horário. A procissão teve um percurso de aproximadamente quatro quilômetros, que foi da altura da loja Honda, em Quadramares, ao Santuário da Penha.
O devoto, que estava fazendo suas orações na igreja do Santuário da Penha, conta que já recebeu muitas bênçãos, mas a realização do percurso de fé independe de alcançar uma graça. “Não sinto dor nem cansaço no percurso. Vamos com alegria, paz e força que ela nos dá. Vem muita gente da minha família e amigos. Vem gente de Guarabira, Areia e Bananeiras. Vem uma irmã que mora no Rio de Janeiro pra passar as festas e vai aproveitar pra participar da Romaria. É tudo muito lindo e com paz”.
Origem da devoção – A devoção a Nossa Senhora da Penha tem origem na Espanha. O monge francês Simón Vela encontrou a imagem original no século XV e a devoção se espalhou pelo mundo a partir daí. No Brasil, foi por meio dos portugueses. Com viagem marcada para a Espanha, a arquiteta Larissa Maciel planejar visitar o Santuário de Nossa Senhora da Penha, em Salamanca. Antes, ela passou no Santuário de João Pessoa para fazer suas orações e acendeu algumas velas para expressar sua fé.
“Eu ainda estou no início da minha jornada religiosa. A minha irmã quem me trouxe a primeira vez porque é muito devota. Tenho feito minhas orações e percebi que coisas que pedi em oração aconteceram muito rápido. Logo senti a grande força da fé e o quão poderosa é Nossa Senhora da Penha”, relata entusiasmada.
Já o cearense Ricardo Silva une sua fé a Nossa Senhora da Penha ao trabalho de vendedor ambulante. Ele veio da cidade de Canindé (CE), próximo à Fortaleza, até João Pessoa 10 dias antes da Romaria da Penha para vender itens como terços, chaveiros e diversos artigos religiosos e brinquedos. “Desde 2005, eu venho todo ano para participar da Romaria da Penha. Não faço o percurso, fico no Santuário à espera dos fiéis e sempre consigo vender muitos artigos”, relata.
Texto: Thadeu Rodrigues
Edição: Cristina Cavalcante
Fotografia: Kleide Teixeira
Fonte: PMJP


